domingo, 19 de fevereiro de 2012

NEPOTISMO EM BIRIGUI: EDITORIAL Vitória do nepotismo e derrota da população. Folha da Região do dia 18 de Fevereiro de 2012.

Foto do site aladim.

Abusada decisão do prefeito de Birigui, Wilson Borini (PMDB), de nomear o cunhado recém-demitido por nepotismo para ocupar agora o cargo de secretário só pode ser definida como uma afronta à inteligência da população e ganha contornos de deboche do Ministério Público. O retorno triunfal do parente do prefeito dá ao cidadão biriguiense o direito de desconfiar que a exoneração no final de 2011 não passou de um simples recuo estratégico para a recondução do apadrinhado em cargo ainda mais robusto. Na ocasião, o Ministério Público chegou a abrir inquérito para investigar o apadrinhamento do cunhado e da filha de José Fermino Grosso (DEM), um dos vereadores aliados de Borini na Câmara Municipal. O prefeito cumpriu a sua obrigação e tomou a iniciativa de resolver o problema exonerando os dois funcionários. Com isso, o Ministério Público arquivou o processo, embora pudesse ainda insistir na tese de que eles deveriam devolver a remuneração recebida enquanto durou o vínculo com o serviço público. Súmula do STF (Supremo Tribunal Federal) proíbe a nomeação de parentes para ocupação de cargos públicos no Executivo, Legislativo e Judiciário. A exceção para a ocupação do cargo de secretário – caso do cunhado de Borini – não torna a posição do prefeito menos incômoda. É óbvio que sempre, e especialmente na esfera pública, o bom senso recomenda não esgotar as discussões na questão legal, mas deve se considerar também a questão moral. No caso do cunhado, dirigente de um partido aliado do prefeito, conta ainda o ingrediente político-eleitoral. O chefe do Executivo biriguiense não deve esperar que a população seja tão inocente ao ponto de acreditar no alegado critério de competência para a nomeação. Mesmo que espere e aposte nessa inocência, o prefeito tem discernimento suficiente para entender que o histórico da exoneração por nepotismo em 2011 recomendava um olhar mais cuidadoso em outras alternativas fora do seu círculo familiar para ocupar a Secretaria de Esportes e Lazer ou qualquer outra – ainda que atropelasse o critério técnico e priorizasse o político. O prefeito Borini preferiu o desnecessário desgaste de apadrinhar parente e o mínimo a se esperar dele é que tenha a grandeza de assumir esse ônus. Quanto à população, resta a possibilidade de usar o episódio como reflexão e tirar suas próprias conclusões. Enquanto isso, fica ainda a expectativa sobre o futuro da filha do vereador-amigo, exonerada junto com o cunhado de Borini. O placar de momento mostra vitória do nepotismo contra o interesse público.

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OBS: O site não faz comentários sobre o editorial, pois a população é sabia e tem opinião própria.

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